Caminhos ocos, vazios, paralelamente retos.
Uma rua sem vida é como um teatro vazio,
sem plateia — apenas zumbidos nos tetos.
O vazio emite sinais amistosos,
embala na solidão,
desperta prazeres outrora proibidos.
No vazio me encontro, sozinho comigo mesmo.
Abraço-me de esguelha, com gestos envergonhados,
alcanço-me na plenitude da nudez disfarçada.
No vazio, encanto-me com o som do silêncio.
Espalho-me nos lençóis húmidos de amantes,
desvio-me da agitação do caminho apinhado
de gente aos gritos e prantos.
Seguro-me à firmeza do tempo passado,
certifico-me do eu com aplausos.
No vazio, reconheço-me como sou.
Imagno Velar