O amor tem mil jeitos de se mostrar
e nenhum deles é errado, só diferente.
Tem o amor exagerado, aquele que grita pro mundo inteiro
faz serenata na rua às três da manhã,
posta foto com legenda brega que dá vergonha alheia,
mas que pra quem recebe é como oxigênio puro.
Não tem filtro, não tem vergonha,
ama alto, ama escandaloso, ama como se o amanhã não existisse.
Tem o amor romântico de cinema,
aquele que transforma o banal em poesia
com um bilhete no espelho do banheiro,
um café na cama sem motivo,
um “você é linda” dito no momento certo.
Tudo simples, mas feito com tanto cuidado
que vira verso sem precisar rimar.
Tem o amor minimalista, calado, seco por fora
não manda mensagem toda hora, não enche de carinho público,
mas quando você cai, ele já tá lá antes de você pedir.
No olhar dele você lê o “eu tô aqui pra sempre”,
sem precisar de palavra.
É amor que não precisa provar,
porque já provou ficando.
Tem o amor ciumento, que aperta o peito quando vê outro perto,
mas que aprende a soltar porque entende que amor não é posse.
Tem o amor paciente, que espera anos se precisar,
que perdoa sem alarde, que constrói devagar como casa de taipa.
Tem o amor selvagem, que transborda na cama, no beijo, no corpo,
que não explica, só sente e deixa sentir.
Tem o amor companheiro, que divide conta, divide dor, divide silêncio,
que vira rotina bonita sem perder o fogo.
Tem o amor que nasce na amizade,
que vira tudo sem aviso,
e o amor que nasce no ódio e vira paixão doida.
Tem o amor que cura ferida antiga,
e o amor que abre ferida nova só pra ensinar a cicatrizar.
No fim, amor cabe em tudo e em nada ao mesmo tempo.
Tem amor que cabe num sorriso trocado no metrô lotado.
Tem amor que não cabe no mundo inteiro de tão grande,
que transborda cidade, país, vida.
Tem amor que só cabe em olhares furtivos,
que não precisa de palavra pra ser entendido.
Tem amor que cabe num gesto simples:
um copo d’água trazido na febre,
uma mão na nuca depois do dia foda.
Tem amor que cabe em pé no ônibus lotado,
corpo colado, suor misturado, silêncio confortável.
Tem amor que cabe num banco de praça simples,
dois velhos de mãos dadas vendo o sol cair.
Tem amor que cabe num colo que você deita depois do dia cansativo,
cabeça no peito, respiração sincronizada,
e o mundo lá fora pode esperar.
Amor cabe onde a gente deixa ele caber.
Às vezes em gestos mínimos,
às vezes em loucuras gigantes.
E aí,
qual é o seu tipo de amor?
Qual jeito ele se mostra quando ninguém tá olhando?
Qual o que você dá,
e qual o que você ainda tá esperando receber?