Uma asa rápida
na borda da tarde
e eu aqui parada
com a sede antiga.
Teu voo breve
pintava o ar
com um azul que não era meu
nem desta rua cinzenta.
Vieste e foste
como um segredo leve
de néctar guardado
em flores que eu não sabia nomear.
Teu beijo,
se fosse um beijo,
seria gota de orvalho
no deserto da boca.
Uma fonte
que a miragem prometia
e a sede real reconhecia
antes mesmo de provar.
Nunca o gole,
só a visão do voo
e a memória úmida
do que nós poderia ter sido.
Meu voador pássaro de fogo
que só pousou no meu desejo
e partiu
deixando o leito da água ausente.