Se um dia eu pudesse
catalogar a vida,
não guardaria riquezas.
Guardaria outras coisas,
o imponderável:
O riso exato de quem chega
quando o silêncio já pesava,
feito fresta de luz em casa antiga.
O entardecer em que o firmamento
transbordou as bordas do mundo,
revelando que somos pequenos, mas infinitos.
E aquele abraço — laço e morada —
que se estendeu pelo tempo preciso
de remendar o que a vida havia partido.
Pois a fortuna que realmente nos habita
não se conta em posses,
mas na gramática mansa dessas miudezas.