Infância, de onde vens?
De que maneira chegas cá?
Não conheço tal palavra,
Es de comer ou é de Plantar?
Será que essa tal infância
pode vir me ajudar?
Já me cansa de tanto roçar,
Tanto sol a castigar.
Não sei ler nem sei escrever,
Mas queria aprender, sim.
Queria segurar nas letras
Como quem segura o fim.
Infância, por que não te conheço?
De onde vens, de onde és?
Será que moras longe,
Onde menino tem vez?
Será que és coisa de rico,
De gente que não apanha?
Meu corpo já não aguenta
Essa dor que me acompanha.
Infância,
Só peço mais um favor:
Que me deixe descansar
Desse peso e dessa dor.