Viviane.93

Planagens

Há uma hora silenciosa no mundo

em que até as árvores parecem pensar.

As folhas cessam sua discussão com o vento

e a terra respira mais devagar.

 

É nesse instante estranho

que algo dentro de mim pergunta

se a vida é mais raiz

ou mais caminho.

 

Há dias em que desejo permanecer,

cravar-me fundo no chão daquilo que amo,

ser abrigo, permanência,

sombra para alguém cansado.

 

Mas há outros

em que o horizonte me chama pelo nome,

como se soubesse um segredo

que ainda não ousei escutar.

 

Então fico assim:

um pé entregue à terra,

o outro suspenso no ar,

à espera de compreender

 

se nascer

é aprender a ficar

ou sonhar em voar,

em diferentes planagens,

em busca de um chão que me reconheça 

onde enfim eu pertença.