Há uma hora silenciosa no mundo
em que até as árvores parecem pensar.
As folhas cessam sua discussão com o vento
e a terra respira mais devagar.
É nesse instante estranho
que algo dentro de mim pergunta
se a vida é mais raiz
ou mais caminho.
Há dias em que desejo permanecer,
cravar-me fundo no chão daquilo que amo,
ser abrigo, permanência,
sombra para alguém cansado.
Mas há outros
em que o horizonte me chama pelo nome,
como se soubesse um segredo
que ainda não ousei escutar.
Então fico assim:
um pé entregue à terra,
o outro suspenso no ar,
à espera de compreender
se nascer
é aprender a ficar
ou sonhar em voar,
em diferentes planagens,
em busca de um chão que me reconheça
onde enfim eu pertença.