Oswaldo Jesus Motta

Quintal da memória

Uma varanda,

uma vila,

um corredor comprido.

Da janela,

um quintal aberto ao mundo.

Chuva de verão caindo morna,

cheiro de café vindo da cozinha,

o leite crescendo no fogão.

Brinquedos esquecidos pelo chão.

Pai — porto seguro.

Avó — doçura de colo.

Madrinha — mãos cheias de agrados.

Padrinho — passos lentos pelas tardes.

Hoje,

quando a chuva retorna

e o café invade o ar,

fica apenas

a infância

roçando leve

as asas da lembrança.