Aquilo Que Não Deveria Existir
Existe um sentimento em mim
que nasceu sem permissão.
Frágil, precipitado,
quase absurdo.
Porque a verdade é simples:
você nunca me deu motivo.
Faz pouco tempo,
quase nada de tempo —
um mês de conversas raras,
palavras soltas no meio do dia,
silêncios maiores que qualquer frase.
E mesmo assim
alguma coisa em mim
decidiu sentir.
Eu sei que é exagero.
Sei que é coisa de quem se emociona fácil,
de quem transforma pouco
em quase infinito.
Você não demonstrou.
Não prometeu.
Não fez nada que justificasse
esse barulho todo no meu peito.
Mas ainda assim
eu me pego esperando.
Esperando uma mensagem
que talvez você nem pense em mandar.
Esperando um interesse
que talvez nunca tenha existido.
E o pior
não é você não sentir.
O pior
é perceber que esse sentimento
nasceu sozinho em mim,
cresceu sozinho em mim,
e provavelmente
vai morrer sozinho também.
Porque às vezes
o coração da gente
não se apaixona por alguém.
Ele se apaixona
pela ideia de ser escolhido.