Por muito tempo vivi perdido procurando a salvação. Por muito tempo pensei que minha busca por você fosse em vão, e talvez ainda seja.
Estive inseguro, adentrando em um bosque, sem guia, eu nem percebi, mas ali é onde já começaria a morte em minha vida.
Vaguei pela humanidade procurando algo que desejasse. São ventos proibidos que não posso me jogar neles e voar e ver a minha liberdade, mas e se eu tentasse?
Sempre desejei mais, quis tudo que sou capaz, quis até o que não sou. Me molhei tanto nessa chuva que ainda me pergunto se pelo menos por dentro seco estou.
Acumulei absolutamente tudo, achei que fui longe demais, porém, daqui a pouco tudo será mais profundo.
Me frustrei, como pude acreditar que ele seria o meu bem? Como pude acreditar que ele seria o meu alguém? Fico irado quando lembro que acreditei que ele ao menos pediria desculpas pra ninguém.
Talvez falei demais o que aqueles ouvidos não queriam ouvir, agora sou a bruxa que queima mas não para de sorrir.
Quase nunca pensei neles, muito menos em mim, eu me agonizei nesse violento fim. Mas que inferno, ele foi feito por mim.
Poderia estar sorrindo, poderia estar ajudando, mas não, estou eternamente aqui fraudando.
Já me disseram que o inverno mais frio é o da traição. Recebi facadas frias daquelas legiões em minhas mãos. Mas sim, te esfaqueei com a mais afiada e fria lâmina. Você não consegue, você esquece, você deu uma anistia para todos os momentos bons que tive com você, mas agradeço que você não me livrou dos momentos ruins.
Eu sempre tive alguns defeitos: Essa indecisão, beira a insatisfação, essa preguiça. Essa obsessão por prazer, tenho que aparecer, e essa minha máscara, não, não posso me enfraquecer, se não esse inferno irá desabar, e como me disseram antes “Demônios não podem chorar”.
Sinto que fui me corrompendo, alguns degraus eu fui descendo, dedos podres fui comendo, e entendendo que não presto pra escolher muita coisa. Sei que alguns erros cometi, fiz aquele coração se partir, mas vi aquele pobre de santidade me trair, eu escalei toda essa torre pra no final ela cair. E assim, no fim, acabei de encontrar você. Já fui e já tentei ser a luz de muitos, em alguns virei sombra e em outros brilhei tanto que ambos não conseguiam se ver. E enfim, remos eu e você, será que eu realmente devo ser o pecador que irá buscar você? Busquei santos no inferno, e encontrei o próprio dantesco mas eu não sei, diga a eles, minha nova Beatriz.
Se do inferno fui ao paraíso, lhe digo: irei voltar.
Invertendo, invertendo, invertendo
Por mas que seu nome seja podridão, sou eu quem carrego essa maldição. Carrego comédias e tragédias, divinas e profanas, se um dia você pensar que estou num lugar ruim digo \"Não, tu não se enganas.\" E é você que vai me levar ao paraíso, ou quem sabe você vai me fazer lá?
Sou eu que lhe doutrino, sou eu que te alucino, sou eu quem morde e grita em teus ouvidos. E não é que fui atendido? O universo resetou, ainda bem que pra mim você o céu criou, ninguém pode entrar nestas cidades que foram erguidas por mim: Sodoma e Gomorra não tiveram o seu fim. Meca e Medina, a Kaaba é negra como minha sina, quem ousar entrar ficara na portaria, os anjos lhe proibiram de me cultuar. Se quem não morre em Varanasi não vai deixar de viver, não há problema, quem entrar aqui irá morrer.