Todas as tardes
uma senhora de vestido estampado
chega ao banco da praça
com um pequeno saco de pão nas mãos.
Senta-se devagar
e começa a lançar migalhas
sobre o chão gasto de passos.
Os pombos logo aparecem —
serenos, platinados,
alguns escuros, outros claros —
caminhando em círculos
como se conhecessem o ritual.
A tarde passa sem pressa.
A luz se inclina nos prédios,
e o horizonte começa a escurecer.
Quando as últimas migalhas se acabam,
a senhora limpa as mãos no vestido,
levanta-se com calma
e segue pela alameda.
Não diz palavra alguma.
Também não precisa.
Entre o bater de asas
e o silêncio da praça,
tudo
já foi dito.