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Entre o nascimento e a morte

Se todos os nossos esforços, amores e conquistas inevitavelmente desaparecerão com o tempo, o que realmente justifica o fato de continuarmos vivendo?  Por que, se analisarmos a vida ao contrário, tendo como ponto de chegada a morte, do que vale a trajetória?

Essa pergunta assombra a todos com a ideia do incerto, pois nos lembra da fragilidade e da brevidade da vida. Em um exemplo mais simplório, essa pergunta pode ser refeita como a que fazíamos quando crianças: se vou me deitar na cama à noite, por que devo arruma-la ao acordar? Perceba que, embora em níveis diferentes, a semântica de ambas as frases é a mesma. 

É essa ideia que Sêneca traz quando diz ‘’A vida é como uma peça de teatro, não importa quanto tenha durado, mas quão bem foi apresentada’’. Não devemos viver temendo o fim. A consciência da morte não deve causar medo ou impotência, é o oposto disso. Saber que somos mortais é viver cada dia como se fosse o último. Não de maneira imprudente, mas consciente. Viver de maneira tão intensa que nos faça aproveitar aquele gole do café que não vai voltar, apreciar o raiar do sol que nunca mais será o mesmo. ‘’Memento Mori’’ é uma frase do latim muito utilizada no estoicismo por pensadores como o imperador Marco Aurélio e o próprio Sêneca que traduz essa ideia de lembrarmos sempre da nossa mortalidade. Não de uma forma mórbida e deprimente, e sim para nos lembrar de estarmos presentes no hoje, para que a gente viva cada segundo como se fossem únicos, porque eles de fato são. 

Então em seus momentos de dúvida, lembre-se de respirar e sentir a brisa suave, aproveite o último gole de café, observe o nascer do Sol. Porque cada instante que passa é singular, e nunca voltará da mesma forma.