Ele me oferece presença,
mas não poesia.
Senta ao meu lado
como quem ocupa um espaço —
não como quem atravessa um destino.
Não há firmeza em suas mãos,
muito menos decisão em sua voz,
falta aquela masculinidade sólida
que ergue casas, resolve contas
e não dorme cedo.
Às vezes
sinto falta de um abismo.
De uma frase dita
como se o mundo estivesse prestes a acabar.
De um olhar que carregue
tempestades e promessas.
Ele me ama
como se amar fosse
um verbo prático.
E talvez seja.
Talvez o erro seja meu —
que li demais
sobre homens que escreviam cartas à meia-noite,
que chamavam a mulher de eternidade
antes mesmo do primeiro beijo.
Homens que existiam
entre guerras,
bibliotecas
e páginas amareladas.
Então olho para ele,
tão real, mas não inteiro,
e penso com uma pequena ironia no peito:
ah,
eu não deveria ter lido
tanta literatura inglesa.