Julia Clone

1 de janeiro- 1 de dezembro

Todos os dias, me entendo como galhos

que, puros ao sol, acolhem o ouvir

Despencam as sombras que espiam em disfarce 

mas recolhem o sufoco, enganosas ao tato

 

Queria a mim, despistar do som zunido

qual me aquece viva, degluto o sórdido

Sei que arrisco o apetite já seco

do desejo que estraga a posse do corpo

Mas ardo a cintilância que cega recato

e me desfaço na luz dos fantasmas meus 

 

Mesmo assim, só me esqueço das folhas maduras em dezembro