Nelson de Medeiros

NADA MAIS

NADA MAIS...

No templo azul das ilusões mortais,

Guardei teu nome em caixa de presente;

Eras meu sonho, casto e paciente,

Bem longe do rumor dos vendavais.

 

Calei no peito os ímpetos e os ais

Do meu afeto, tímido e fervente;

Amei-te assim, secreto e reverente,

Como quem ama os dons celestiais.

 

Se desse amor colhi febril ardor,

O doce  mal que em sonho me enleava,

 Fez do meu peito um templo de ideais...

 

E, até mesmo com tudo em desfavor,

 A fé bendita em sombra me amparava:

Eu quis te amar somente — nada mais...