Ana julia Fernandes borba

A paz do abismo

Se a vida é boa mesmo,

Ninguém deveria ter direito

Sobre a morte.

 

Eu não entendo esse fluxo,

Que, sem rumo, é corrupto.

Mas me pergunto...

Quem que fez a direção?

 

Isso disseram os crentes:

Que Deus deu vida pros doentes que têm fé.

Não importa...

Aqui, cada um é dependente

De si mesmo.

 

O vento que sopra

Não volta,

Ele passa pelo buraco do peito

E deixa o cheiro

De todos os meus erros,

Que me fazem

Seguir o meu fluxo direito.

 

Se tudo isso é um laboratório

Com experimentos incertos,

Assumo o posto de cientista!

Que vai analisar toda a criação.

 

E com o saber, mas não sentir,

Transformarei a minha performance

Do jeito que te agrada.

 

Se eu não vivo pra nada,

Eu vou criar um motivo;

Vou abraçar o desumano

E serei o seu próprio abismo.

 

Nem que eu tenha que sair do fluxo,

Largar o inútil

E preencher o buraco

Com as vítimas do meu falso amor,

Que em lágrimas despedaçam até o vento.