Ele se perde no meu jeito de menina,
No riso frouxo que, diz ele que o fascina.
Sou seu ponto fraco
O jogo do espelho
Onde o infantil vira o seu desejo.
Raramente sinto fome, é verdade.
Mas quando sinto, é pura voracidade.
Lambendo os lábios
Humm...
Um apetite absoluto
Sem pudor ou medo
Não guardo da minha vontade nenhum segredo.
Ele conhece bem a minha mão
O doce vai e vem
Invasiva e persuasiva na busca pelo pão.
Seu pão e os ovos
Copo de leite, me sirva.
Não me entendie
Sou o drama em pessoa
Quero tudo
Sem limites
O faço revirar os olhos
E o drama está presente
O tédio que em tudo ecoa.
Canso do mundo
Canso dele
A rotina é um deserto que passeio.
Só em Deus encontro o meu chão.
O único firmamento em meio à negação.
Não me apego, pois sei que o vão consome.
E a perda tem um peso que me some.
Não me envolvo para não ter que chorar.
Não me emociono para não me quebrar.
Sou sensível, sim, mas é segredo meu.
Um jardim fechado onde ninguém colheu.
Toda essa entrega, todo esse sentir,
É só pra mim — e a mim somente pertence o existir.