Memória de um Beijo
Lança o tempo ao esquivo,
beijo que não volta mais;
fica o gosto fugitivo
na dobra dos anos, quais.
Guardo o toque que ardeu,
sombra de lábios no ar;
o que a pele não esqueceu,
— rastro que o vento irá usar.
Não sei se foi sonho ou véu,
se a boca ousou tocar;
reste o eco, o gosto meu,
— beijo que não há mais achar.
Memória é lenço de seda,
onde o tempo enxuga a dor;
guarda o cheiro, a forma queda,
— beijo morto, amor.
No silêncio, o que sobra
é o sopro que não sai;
a marca oculta na dobra,
— memória que dói, jamais.