SADE

A Desilusão da espera

 

Eu já caminhei por muitos amores
que pareciam eternos na primeira promessa,
mas se desfizeram como névoa
quando o coração pediu verdade.

Já segurei mãos
que não quiseram ficar,
já ouvi palavras doces
que o tempo revelou serem frágeis.

O amor, às vezes, chega
como primavera enganosa:
floresce rápido,
perfuma a alma,
e parte antes que possamos chamar de lar.

E mesmo assim…
mesmo depois das desilusões,
das noites em que o silêncio pesa
mais do que qualquer lembrança,
eu ainda continuo procurando.

Porque dentro de mim existe
uma esperança teimosa,
uma chama que não aceita se apagar. 

Eu procuro aquela mulher
que não seja apenas passagem,
mas destino.

Aquela que complete
os espaços que a vida deixou em mim,
não como quem conserta algo quebrado,
mas como quem chega
e transforma ausência em paz.

Procuro um olhar
que entenda meus silêncios,
um sorriso
que faça o mundo desacelerar,
uma presença
que transforme qualquer lugar em lar.

Não quero um amor perfeito 
quero um amor verdadeiro.

Um amor que caminhe ao meu lado
mesmo quando o caminho for difícil,
que segure minha mão
não apenas nos dias de sol,
mas também nas noites de tempestade.

E talvez, em algum lugar deste mundo,
ela também esteja procurando…

Talvez também tenha colecionado
desilusões e despedidas,
talvez também esteja cansada
de amores que não ficaram.

Quem sabe nossos caminhos
ainda estejam se desenhando lentamente
no mapa invisível do destino.

E quando nos encontrarmos,
depois de tantos desencontros da vida,
não será apenas amor.

Será reconhecimento.
Será paz.
Será dois corações cansados do mundo
finalmente entendendo

que toda espera
valeu a pena.