Nas asas do vento, busquei o infinito,
Fugi das correntes, de amarras, do grito,
Abandonei o conforto do lar,
Querendo no mundo um canto encontrar.
Caminhei por desertos, céus sem estrelas,
Abraçando o silêncio em noites tão belas,
A brisa sussurra, mas nada responde,
E a solidão cresce onde o eco se esconde.
Liberdade, tão doce, promessa encantada,
Traz o peso do vazio na estrada traçada.
Sem raízes, sem porto, sem voz a me ouvir,
Só o tempo me fala, me ensina a sentir.
Cada passo é um risco, um salto no abismo,
Mas a alma insiste, escolhe o heroísmo.
Prefere as sombras de ser quem quiser,
Do que o brilho de grades que o mundo oferecer.
E assim sigo livre, mas nunca completo,
Pois quem solta os laços encontra o deserto.
Na busca do todo, escolhi ser ninguém,
E paguei com silêncio por não pertencer a alguém.