Posso eu? Até poderia, mas,
Penso que em muito já fui escrito.
Poema, pranto, cantoria...
Assim sou eu, cativo.
Porém, a vida é poesia...
Escrita entrelinhas,
Com infinitos sentidos
Do amanhecer de ser,
Ao seu anoitecer.
Da minha janela entreaberta,
Vejo na poesia várias vidas...
Me alegro, me entristeço,
Me aborreço, me compadeço.
Solto no papel,
Arranjado em letras:
Palavras, frases, estrofes
Flor, amor, paladar
Vinho, carinho, mar
Passarinho, medo, voar
Caminho, dor, superar
Tal como é a Poesia,
Liberta quem a cria...
Alimenta quem a aprecia...
E a cada olhar muda, se desnuda.
A flor e sua beleza irrestrita,
Incutida tanto na flor quanto no olhar.
Tal como é a Poesia...
De repente não sou mais cativo,
Outrora restrito, agora vivo.
Ativo, sou o poeta e a poesia.
Sou poema, risos, cantoria...