Nelson de Medeiros

OS LENÇÓIS

OS LENÇÓIS

 

Teu corpo acorda cedo e me abraça,

entre os lençóis azuis de raro linho;

o dia vem nascendo de mansinho,

e a lembrança do ontem me enlaça!

 

Em teu rosto, a tristeza que esvoaça

faz a mente girar em torvelinho;

à mesa, nosso olhar em desalinho

pressente que a ventura se esfumaça!

 

Lá fora, segue a vida traiçoeira;

o sol ensaia entrar pela janela,

e o vento traz o adeus que não reclama!

 

O peito cede à dor que é verdadeira,

a sombra se projeta em torno dela

e sufoca o gemido em nossa cama!

 

Nelson de Medeiros.