Noétrico

Gosto

Durante a queda
percebe-se a vida simples sem deslocar o eixo.
Um carinho, toques leves.
Sem defesa ou guarda.

Aproximação sem urgência, conforto.
A gente se vê e isso basta.
Presença que agrada
sem exigir centro.

O interesse,
como mapa do querer.
Sem conhecimento:
a porta é parede,
o gosto não enraíza,
e o ruído,
vento que leva a semente.

Há riso,
risco, troca.
Gostos, desgostos.
Acordos.
Há vontade de estar
e vontade de ir.

Sorrisos
como frequência.
Não é pedido futuro,
nem cobrado passado.
Seres presentes.

Há um suave ajuste no mundo
quando estás perto —
nada quebra.
Se fores,
o espaço se recompõe.

Gostar é isso:
inclinar-se
sem perder o chão que pisa.
Confiar.
É bom estar junto.