Na verdade só tá faltando o adeus, amor. Nossa história já acabou faz tempo — o último capítulo foi escrito em silêncio, sem briga grande, sem grito, só um vazio que foi crescendo devagar.
Estamos juntos por comodidade: a cama já conhece os corpos, a rotina já sabe os horários, a chave da casa já tem o teu nome gravado.
Por hábito a gente acorda, toma café do mesmo jeito, diz “boa noite” sem olhar nos olhos, divide o controle remoto como se ainda dividisse sonhos. Mas o encanto morreu faz tempo:
o beijo que era fogo virou selinho automático, o “eu te amo” virou “tá bom”. Por que ainda vivemos assim? De ilusão que amanhã melhora, de mentira que “a gente dá um jeito”, de medo do que vem depois do ponto final.
Só tá faltando o adeus. Um adeus limpo, honesto, sem volta. Porque continuar fingindo que tá vivo é o que mais mata a gente aos
poucos.