O verde preenche o castanho dos meus olhos,
O cheiro vem como um sussurro suave, floral,
O vento conduz galhos, ramos e folhas,
Coreografia em ritmo de luz e sombra.
Vejo que lanças as tuas sementes à sorte,
A terra fecunda as acolhe sem promessas,
A fortuna é de bom agouro para poucas,
Para as que sabem lidar com as durezas.
Ao passo que se afunda vai buscar a altura,
Lida com a escuridão e com a luz, assoma-se...
E assim se expande: única, desmedida, destemida.
Carrega consigo o compromisso de apenas ser:
Seja sombra, fruto, abrigo, cura, fogo.
Fiel à sua essência, do seu apogeu ao seu fim,
Semente, broto, árvore, tábua...
Árvores, vão além dos confins...
Para muitos, uma utilidade crua.
Para poucos, uma paisagem, um jardim...