Francisco Queiroz

Árvore: luz e sombra

O verde preenche o castanho dos meus olhos,

O cheiro vem como um sussurro suave, floral,

O vento conduz galhos, ramos e folhas, 

Coreografia em ritmo de luz e sombra.

 

Vejo que lanças as tuas sementes à sorte,

A terra fecunda as acolhe sem promessas,

A fortuna é de bom agouro para poucas,

Para as que sabem lidar com as durezas.

 

Ao passo que se afunda vai buscar a altura,

Lida com a escuridão e com a luz, assoma-se...

E assim se expande: única, desmedida, destemida.

 

Carrega consigo o compromisso de apenas ser:

Seja sombra, fruto, abrigo, cura, fogo.

Fiel à sua essência, do seu apogeu ao seu fim,

Semente, broto, árvore, tábua...

 

Árvores, vão além dos confins...

Para muitos, uma utilidade crua.

Para poucos, uma paisagem, um jardim...