A tua voz entrou nos meus ouvidos
e tocou o meu coração.
Meu corpo ganhou asas —
eu dizia isso com alegria.
Voava para longe.
A flor florescia.
E eu acreditava
ter encontrado a estrada do amor.
Deus sabe o que se passava em mim.
Mais tarde, decidiste tudo sozinho.
Colocaste um sorriso no meu rosto
e depois o tiraste.
Para quê?
Não valia a pena.
O fogo do coração era intenso.
Só eu ardi nele.
Onde está a tua promessa?
A promessa de que meu coração
não voltaria a entristecer nesta vida.
A minha fidelidade era tua.
Eu queria dividir contigo
a montanha dos teus problemas.
Qual era o mal?
Dizias que a minha dor
seria aliviada por ti.
Levavas-me a um lugar
onde a dor e o sofrimento
não eram permitidos.
Um lugar onde pessoas como nós,
com o coração cansado,
regressavam com a luz da esperança.
Mas agora sei:
não existe um lugar assim no mundo.
Não sei mais como confiar.
A não ser na igreja,
onde encontro paz.
Quanto do meu tempo eu daria
apenas para voltar a ver
um sorriso nos meus lábios.
Meu coração grita,
mas não deixo as lágrimas
transbordarem dos olhos.
Nunca permito que a dor
alcance a minha boca.
Aceito as decisões do destino
em silêncio.
Que viagem é esta?
Que caminhos são estes?
Não sei qual é o destino.
Onde encontrarei a paz
para o meu coração?
Não está aqui,
nem ali.
Mais uma vez, a dor trouxe inquietação.
Eu amo-te.
Lamento tudo isso.
Deste-me a mão
e depois largaste.
Eu sofri
e tu continuaste a assistir.
Por quê?
Guardei água suficiente
para apagar as chamas
do meu coração —
mas ela escorreu
pelas minhas próprias mãos.
Depois de tudo o que passei,
não tenho o direito
de perguntar a razão de tudo isto?
Sacrifiquei o nosso amor
por uma injustiça do destino.
E tu nem sequer perguntaste
o que eu queria.
A minha estrela
voltou a escurecer.
21/08/2018°