MAISA NALAPE

Onde está a tua promessa?

A tua voz entrou nos meus ouvidos

e tocou o meu coração.

Meu corpo ganhou asas —

eu dizia isso com alegria.

 

Voava para longe.

A flor florescia.

E eu acreditava

ter encontrado a estrada do amor.

Deus sabe o que se passava em mim.

 

Mais tarde, decidiste tudo sozinho.

Colocaste um sorriso no meu rosto

e depois o tiraste.

Para quê?

Não valia a pena.

 

O fogo do coração era intenso.

Só eu ardi nele.

 

Onde está a tua promessa?

A promessa de que meu coração

não voltaria a entristecer nesta vida.

 

A minha fidelidade era tua.

Eu queria dividir contigo

a montanha dos teus problemas.

Qual era o mal?

 

 

Dizias que a minha dor

seria aliviada por ti.

Levavas-me a um lugar

onde a dor e o sofrimento

não eram permitidos.

Um lugar onde pessoas como nós,

com o coração cansado,

regressavam com a luz da esperança.

 

Mas agora sei:

não existe um lugar assim no mundo.

 

Não sei mais como confiar.

A não ser na igreja,

onde encontro paz.

 

Quanto do meu tempo eu daria

apenas para voltar a ver

um sorriso nos meus lábios.

Meu coração grita,

mas não deixo as lágrimas

transbordarem dos olhos.

Nunca permito que a dor

alcance a minha boca.

Aceito as decisões do destino

em silêncio.

 

Que viagem é esta?

Que caminhos são estes?

Não sei qual é o destino.

Onde encontrarei a paz

para o meu coração?

Não está aqui,

nem ali.

 

Mais uma vez, a dor trouxe inquietação.

Eu amo-te.

 

Lamento tudo isso.

 

 

Deste-me a mão

e depois largaste.

Eu sofri

e tu continuaste a assistir.

Por quê?

Guardei água suficiente

para apagar as chamas

do meu coração —

mas ela escorreu

pelas minhas próprias mãos.

 

Depois de tudo o que passei,

não tenho o direito

de perguntar a razão de tudo isto?

 

Sacrifiquei o nosso amor

por uma injustiça do destino.

E tu nem sequer perguntaste

o que eu queria.

 

A minha estrela

voltou a escurecer.

 

 

21/08/2018°