Porque ali —
no golpe que chega torto,
no respeito que se cobra no olhar,
no sangue que escorre sem drama —
há uma liberdade simples,
quase sagrada:
a de existir sem máscaras,
a de ser dureza sem crueldade,
a de sentir a realidade
ceder e voltar,
como se o caos
me reconhecesse de longe.
Eu volto pra casa em silêncio,
com o corpo marcado,
com a mente limpa,
com a certeza de que,
entre espasmos e choque,
eu me torno mais eu
do que em qualquer outro lugar.
Vida.