Anna Gonçalves

12 de março

Hoje é 12 de março.

É o dia que nunca esqueço,

mas que queria esquecer de lembrar de você.

 

Luto diariamente.

Coloco o sorriso na frente,

sigo,

construo minha estrada,

um passo de cada vez, um dia após o outro,

trabalho, faculdade, casa, metas, músicas, hobbies e planos ...

Ocupando mente, corpo e alma para manter o coração adormecido um pouco...

 

Mas hoje veio uma onda mais forte.

Você esteve aqui, como se fosse ontem 

como se nada tivesse passado.

 

E eu, feito boba,

e da minha memória sabia e mentirosa,

lembrei só do que era bom,

excluí as partes ruins,

o peso,

o silêncio,

o fim...

 

Queria cortar esse cordão.

Esse fio invisível que ainda me prende

a um ponto fixo da minha mente,

a um nome que não sai da boca,

a uma conexão que eu mesma mantenho viva e que já devia ter morrido.

Queria cortar esse cordão

do qual eu mesma insisto em manter fixado, como se estivesse impregnado.

Preciso!

Mas ainda não consigo abrir mão.

 

Mas enquanto o peito cicatriza,

enquanto os buracos vão se fechando,

ainda cabe um desejo:

que você realize todos os jardins

que um dia pensou em construir.

Que alguém reacenda em você a chama que um dia te fez brilhar e sorrir,

te fez querer crescer e seguir. 

Mesmo que não foi eu.

Mesmo que nunca saiba.

Mesmo que doa.

Sempre vou querer te ver brilhar na sua jornada!

 

Hoje é 12 de março.

E eu ainda lembro.

Mas amanhã, quem sabe, no próximo dia 13,

lembrar dói menos.