Estou com frio,
tremendo de frio.
E é tão estranho sentir esse vazio,
quando lá fora é verão tardio.
Minha alma está com frio,
meu corpo também.
Minha mente se perde no desafio
de fingir que está tudo bem.
Estou doente faz anos...
pensei que logo passaria.
Sem remédios, sem planos,
achei que a dor cederia.
Já se passaram três anos,
e tudo só tem despencado.
Entre silêncios humanos,
ninguém parece ter notado —
ou talvez tenham ignorado.
Acho que estou doente
por ser eu demais.
Por dar de mim constantemente
e receber sempre menos do que se faz.
Por ser tanto para os outros,
por me doar até o fim...
mas quando olho para dentro,
não sobra ninguém para mim.