Castrovsk

Entre ruas.

 

Por todas as ruas, e todos motivos,
Eu devia escolher outro caminho.

 

Com skate no braço,
Fone no ouvido,
Um trago no Back,
Outro no vinho,

Eu me sentia diferente,
Eu me sentia vivo.

Já tinha virado a esquina da desilusão com a crença,
Não havia mais recurso pra me soltar dessa prensa,

Rosto pra baixo,
Olho fechado,
Respiração controlada,

Mente gritando,
“Pensa”,

Condenando meu eu por não aceitar indiferenças,

Que diferença faz,
Minha visão ta embaçada,
E a culpa é densa.

 

Por algumas ruas,
Com alguns caminhos,
Deviamos escolher alguns motivos.


Com cobertor enrolado,

Cheiro de cigarro e cachaça,
de quem ficou 8 horas deitado na praça,
Para, olha pra mim e diz;

“Esse skate é massa,
Andei muito nessa desgraça,”

Um trago no cigarro apagado,
Um gole na garrafa sem marca,

“Aproveita,
A vida passa,

Eu fui atrás de encontrar a borda do sentimento,

Hoje só me abordam pra me dar um tapa,

Com essa lata que eu tenho
eu só consigo ajuntar lata,

É oque dá,
É o meu sustento,

Me orgulho disso,

Tem gente por aí 
que rouba e mata.”

Mais um gole
pra enxugar a lágrima,

“Acho que…

desde que você não se perca,
tá tudo bem”.

 

Por outros motivos,
outras ruas,
E outros caminhos.

 

De gravata e terno,

Cheiro de polo blue,
E Rothmans azul,
Com café expresso no copo amarelo,

Sentado na mesma praça,

Um empresário dos dias moderno,

“Oh vida pacata,

É uma merda mesmo,

Tenho dinheiro,

Trabalho de gerente,

Conheço muita gente,

Ontem eu até ganhei um carro de presente,

Eu deveria estar mais contente”

Um trago no tabaco,
Outro no café expresso,

\"É recorrente, 
Memórias de pessoas que eu prezo,
Ou pelo menos devia,

Minha mãe,
Minha mulher,
E minha filha,

Se eu pudesse voltar
e fazer diferente…”

Lágrimas,
Que não se enxugavam
com palavras vazias.

 

Por todos os caminhos que eu andei,
Várias ruas que passei,

Eu decidi,

Escolhemos os caminhos que queríamos,


Com Rosto pra cima,
Olhos abertos,

Respiro ar puro,

Minha visão já não tá tão embaçada quanto antes,

Pensei que eu era diferente dos demais,

Aceitei que a culpa não some,
Mas aprende a se acertar no seu lugar.

Comecei a crer,
E me iludir,
Com a vontade de me encontrar denovo,

Nem me dei conta e to numa prensa,

Conversando com um skatista,

E ele diz;

“Desde que você não se perca,
tá tudo bem,”

E eu espero que eu não perca essa sensação nunca,

Amém.