Cada segundo secreta
Um grão tão pequeno e salgado
Tal qual areia, capaz de ocupar
Seu próprio e particular espaço
No tecido do tempo
A partir do momento que ele se despede
De nós
Quando se passou apenas pouco tempo
Os segundos passados
Ainda são acessíveis, a ponto das memórias
Guardadas neles ainda estarem vivas, quentes
E vivas
No entanto, quando os segundos
Sao separados de nós por minutos, horas
Dias, semanas, meses e anos
FIcamos afogados pelo mar de areia
Fruto do choro de despedida dos segundos
E cada oportunidade de reviver um abraço
Uma risada, uma palavra preciosa, um rosto querido
Nos é roubada por um sufocante mar de areia
Aquele que nos castiga a viver sempre o presente