Lucien Vieira

A PEDAGOGIA DO TEMPO

(Lucien Vieira)

 

Aprendi...

A vivência, enfim, está aí, à porta — nasceu.

Nestes tantos ires e vires, em que se deu,

quantas e quantas vezes fui e revivi?

Sou resquício, portanto, de outros e outros que morri.

 

 Sexagésimo segundo ciclo de maduros exercícios:

o tempo é, além de tudo isso, arte —

Autor, diretor, ator.

Graças às flores, às ansiedades, aos desamores, aos vícios

(gratificantes combinações de deslumbres e dores),

os pseudodesânimos da mente — em hipótese, doente —

machucam mais levemente,

contrastando com os fardos de antigamente.

 

 O silêncio tornou-se um sábio discurso inteligente,

assim como também um revide articulado — paciente.

Aprender, aprender sempre, sem parar, faz viver — é devir.

 

 Ser ou não ser significa tudo, ou meramente nada;

é uma questão única, subjetiva,

é tão-somente um fruto do compreender.

Esse é, se desejo for, o compasso natural das muitas caminhadas.

 

 Logo, quando eu for sem vir,

de lá acenarei resignado, feliz;

saberei sorrir.