Entre linhas, entre nuances, vários lados da mesma moeda
Eu tirei o meu casaco e vi o peso que carregava
Pode parecer inútil, mas, eu ainda acreditei até o final
Que tudo poderia ser diferente, que eu não seria indiferente, que ela viria me buscar
Deitei na minha cama, a mesma que me abraça todas as noites
No estado febril, estive me contorcendo, delirando, sobre muitas coisas
Com o meu ego sendo mastigado, me senti tão invisível, mas, eu aguentei
Um sentimento primal, quase natural, estive enterrado até a ponta dos dedos
E eu continuei, andando sem parar, sem lugar para descansar
Tantos dias que eu desejei aquela flor, para olhar nos dias de dor
Mas, por tantos motivos, minha espera sempre foi em vão
Sem pena, sem contorção, eu estive nadando contra a correnteza
Não foi raiva, não foi tristeza, nem ódio, muito menos inveja
Sobrou um vazio do tamanho do oceano
E ela não veio até mim, não consegui ir até ela
Novamente amanheci, antes eu anoiteço, até deixar os respingos dos meus olhos secarem
Sendo o que fui, sendo o que sou, tornando o que serei
Um sentimento primal, de uma solidão sobrenatural, eu olharei as estrelas
Meu coração, algum dia, poderá realmente se sentir acolhido? Temo que não...