Ai, essa saudade teimosa de você,
que insiste em visitar-me todos os dias,
mesmo quando tento afastá-la
dos caminhos do pensamento.
Que feitiço lançaste sobre mim,
para que eu precise do teu sorriso para sorrir,
do brilho dos teus olhos para amar
e do calor do teu corpo para viver?
Não sei até quando suportarei
esse anseio inquieto de ter-te comigo,
aqui, tão perto,
neste sonho lúcido
que me acompanha até quando estou desperto.
É uma loucura que não sei nomear,
que pulsa no fundo do peito
e aperta a alma em silêncio,
fazendo nascer lágrimas
que escondo atrás de um sorriso.
Ai, mulher, fascínio que seduz
no simples bailar dos cabelos.
Ai, mulher, desejo que embriaga
quando passas num breve lampejo.
Deixa-me decifrar esse mistério
que alguns chamam de amor,
outros de simples paixão,
mas que eu prefiro chamar,
com reverência,
de divina emoção.