Ana Lins

certas belezas / só existem porque são finitas

É difícil fechar a porta

de um lugar que me viu florir.

Sinto como se deixasse algo de mim

levado pelo tempo.

O relógio não perdoa a intensidade,

e este instante, enquanto o escrevo,

já virou ontem.

Dói saber que o agora é fumaça,

mas há uma paz silenciosa

em aceitar que certas belezas

só existem porque são finitas.

É um adeus que não apaga rastros:

quem muito viveu

sempre terá um lar

em alguma lembrança.