É difícil fechar a porta
de um lugar que me viu florir.
Sinto como se deixasse algo de mim
levado pelo tempo.
O relógio não perdoa a intensidade,
e este instante, enquanto o escrevo,
já virou ontem.
Dói saber que o agora é fumaça,
mas há uma paz silenciosa
em aceitar que certas belezas
só existem porque são finitas.
É um adeus que não apaga rastros:
quem muito viveu
sempre terá um lar
em alguma lembrança.