Tinky

A Última Rosa da Roseira

Ouvi do meu próprio amor
sua história de uma intensa paixão.
Da sua boca ouvi coisas
que destruíram meu coração.

Percebo que ele não me amava tanto,
era apenas uma ilusão.
Percebo que agora ele ama,
e eu não.

Não como ele, ao menos.
Eu não sou amada.

Sua história me fez perceber
que eu sou apenas desejada.
Sou uma roseira
que continua tendo suas rosas arrancadas.

Saí da proteção da sua mão gelada,
encontrei um corpo quente
e me convenci
que era o suficiente.

Mas eu não sou amada.

Percebi isso ao ouvir sua história.
Ou eu já sabia,
mas te ouvir me fez aceitar
que tem alguém que tira minhas rosas
mas não quer me cuidar.

No gelar de um corpo quente
percebo que nunca foi quente o coração.

Sinto-me iludida
e despedaçada.
Foi fantasia pensar que era amada.
Esse tempo todo
nunca fui cuidada.

Eu não sinto falta da sua mão gelada,
aquela mão que aquecia o coração
não me faz mais falta.

Pois agora estou presa a outra alma,
de um corpo quente.
Com palavras frescas ele me alimenta,
mas seu corpo quente
congela meu coração.

E quando eu penso que não,
outra rosa foi arrancada.

E quando espero ele me dizer
que me ama,
descubro mais uma vez:

nunca fui amada.

Meu antigo amor me disse isso.
Agora não me resta nada:
nem o passado,
nem o presente.

Estou sem nada.

Sou roseira
que não dará mais rosas.

Aumentarei meus espinhos.
Meu cheiro doce se tornará amargo.
Não me sentirá mais,
não me enganará mais.

É o fim de uma roseira
que não deseja mais amar.