Dentro das cinzas, eu deixei tudo queimar
Meu castelo de areia, o mar engoliu tudo
Então eu saí de casa, para deixar de ser quem eu era
Não vai me reconhecer quando eu voltar
Eu estou no silêncio, brigando entre o prazer e a culpa
Lamentei, e não adianta, porque eu já chorei nas noites escuras
Carregando minhas misérias, agarrei meu crucifixo na dor
No pecado fui concebido, na culpa, acusado, na fé, sendo testado
Tão abençoado, mas fui enfeitiçado por mentiras do mundo
Eu estive na pior, não ousei reclamar, nem falar
Dentro de mim, remoendo, de alguma forma, consertando
Entre tropeços e falhas, quantas vezes conversei a mesma coisa?
E eu vi, tudo está fadado ao desaparecimento
Nesses ossos, misturado com o sangue, pingando o suor do dia a dia
Me recusei a ver a realidade, paguei o preço, cada moeda que devia
Então, não se assuste querida, essa é a prova quem um homem deve passar
A diferença entre a lápide e os dias estão apenas separados pelo tempo
E eu estou transformando a sujeira em algo, sem percepção aparente
Outro rosto, outra mente, aos poucos, uma metamorfose...