Presente...
Inalcansável presente.
Que só aparece
Quando ausente.
Como urubus visando à carniça,
Pairamos entorno de nós.
Do passado ao futuro;
Da memória à previsão.
Vagando no que a carne cinzenta
Peneirou do Tempo,
Bagunçando em neurônios
Misturando os dias com anos
E os mêses com as semanas.
Sempre penso no passo que vou dar;
No prego em que posso pisar.
Ou lamento o passo que dei;
No prego em que pisei.
Mas...
Às vezes...
Bem às vezes...
Não penso em nada.
Distraio-me
Olhando o cão sarnento cochilando;
O mato que se acumulhou no rejunte;
Ou os papéis frios arrastados pela sarjeta.
E não percebo
Que, neste diminuto instante,
Vivo.
Simplesmente
Vivo.