Oswaldo Jesus Motta

Entre dois caminhos

É difícil decifrar

O enigma da emoção.

Duas estrelas cintilam,

Cada qual com sua sedução.

Uma brilha serena,

É porto, é calmaria.

A outra arde intensa,

É chama, é poesia.

Fugir seria engano,

Negar não é razão.

O tempo exige escolha,

Ou virá a solidão.

Hoje, talvez, o fogo,

A vertigem da paixão.

Amanhã, quem sabe, o doce abrigo

Do amor em devoção.

Mas se abraço a ternura,

Lamento a perdição.

E, se busco o desejo,

Perco a mansidão.

Assim sigo dividido,

Entre o céu e a tentação.

Dois caminhos me chamam

Dentro de um só coração.