Talvez eu seja o próprio mar,
mar profundo, inquieto,
erguendo ondas altas contra o céu.
Talvez eu seja uma tempestade viva,
nuvens cumulonimbus se formando dentro do peito,
trovões silenciosos atravessando pensamentos,
ventos que ninguém vê
mas que dentro de mim nunca param.
Uma tempestade furiosa,
daquelas que fazem as pessoas temerem,
daquelas que fazem o mundo perguntar:
será que vou sair dessa?
Talvez eu seja meu próprio karma,
meu próprio dharma,
meu próprio enigma.
Não sei ao certo o que sou.
Só sei
que sinto muito o tempo todo.
E dentro desse mar profundo
onde as ondas gritam
e o céu escurece,
ainda existe algo que permanece.
Tempestades passam. O mar não deixa de ser mar por causa delas.