Às vezes eu acho que não sei de nada, mesmo me conhecendo o bastante para falar que eu sou como o oceano: profundo e um pouco inexplicável.
Seria a minha mente o oceano? Não sei também. Acho que eu seria como um barco, e a superfície do vasto oceano como a vida real — como a minha vida. É bela, mas, não sei... um pouco assustadora essa vista.
Eu vejo agora um enorme oceano. Pela superfície, tem um sol; é bonito. Há algumas ilhas. O sol invade o meu oceano e me dá um choque de realidade. Por mais que a superfície esteja bem diante dos meus olhos, eu não acredito nela.
— Tudo isso é falso, nada é real.
— Mas é a realidade — diz o oceano para mim.
O oceano é profundo, e é bem escuro lá embaixo. Quando eu olho para ele, consigo ver os meus maiores sonhos, os meus desejos mais profundos; é bom, muito bom.
Eu sou um barco sem âncora: não paro nem fico em lugar nenhum. Faço amizade com as ilhas e outros barcos, mas nunca paro, nunca os conheço o bastante... e eles nunca me conhecem o bastante.