E mais uma vez
me vi com o copo na mão
e a fumaça subindo lenta
como se levasse embora
um pedaço da minha razão.
Prometi tantas vezes
que seria a última noite,
o último gole amargo,
o último cigarro aceso
que queima mais por dentro
do que na ponta dos dedos.
Mas a solidão às vezes grita
num idioma difícil de calar,
e a gente procura silêncio
onde sabe que só vai piorar.
Ainda assim,
no fundo do peito cansado
existe um resto de esperança:
de que amanhã eu acorde
me perdoe
e tente, mais uma vez, parar.