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Entre o que fomos e o que ficou

 

Houve um tempo

em que o mundo parecia caber

no espaço de uma conversa nossa.

Nada precisava ser explicado demais.

O silêncio também falava,

e às vezes era nele

que eu mais te entendia.

Não sei em que instante

o caminho se dividiu.

Nem em que curva da vida

nós dois passamos a caminhar

em direções que não se tocam.

Mas quando a noite fica quieta

e a cidade desacelera,

algumas lembranças voltam

como luz atravessando uma janela.

Não doem como antes.

Também não desapareceram.

São fragmentos de um tempo

em que o coração acreditava

que certos encontros

tinham sido escritos nas estrelas.

Talvez tenham sido mesmo. ?

Mas nem tudo que é profundo

foi feito para durar para sempre.

Algumas histórias chegam

apenas para acender algo dentro da gente —

e depois seguem viagem.

Então eu guardo o que ficou:

os risos,

as conversas,

os momentos em que o mundo parecia simples.

E deixo o resto seguir

com o vento das coisas que não voltam.

Porque amar também é isso:

saber reconhecer

quando algo foi bonito… ?

e ainda assim

permitir que a vida continue.