Os cortes em minha pele ainda jorram o sangue de minha alma. As marcas de tua ida me fazem afundar no riacho turbulento de minhas lágrimas; a confusão ainda me gira como em espirais que arrancam de mim o ar que aperta meu peito e cravando, com a dor cada letra de teu doce e maldito nome. Batendo em cada pedra, em cada relevo que tira de mim pedaços de cor escarlate, os quais me fazem delirar como em dias de sol. As noites de conforto se tornaram o reflexo de meu pesadelo sem fim, que ainda permanece vitrificado como uma memória recente. A ponta de meus dedos tentam tocar o vitral que me assombra, mas as suaves palavras de terror rasgam minha alma; e escrevem, com a ponta laminada das estrelas, tuas falsas promessas. O teu maldito gosto de caramelo me enoja como o cheiro metálico de meu sangue, o qual era limpo pelo toque de seda de tuas mãos. A pupila de teus olhos viscerais nem sequer lembra dos traços de meu rosto, nem sequer lembram de minha voz, nem sequer lembram da inicial de meu nome, nem sequer lembram das promessas verdadeiras de um ‘eu te amo’. Agora, todos os sentimentos que floresciam como tulipas, some como a tempestade após um dia ensolarado, somem como o rastro de amor que ainda abraçava teu nome.