Oswaldo Jesus Motta

Abandono

Quantas histórias nesses olhares,

por vezes perdidos sob um banco,

à espera da gente de branco

que traga remédio

ou apenas um afago.

Um filho distante,

um neto esquecido

das fraldas que um dia

vocês trocaram.

Um choro guardado no peito

que conhece o segredo

de noites perdidas

— ou encontradas no amor —

de quem cuida sem imaginar

que um dia também

precisará ser cuidado.

E então chega

essa tristeza silenciosa

de ser deixado.

Chora-se em silêncio

entre braços que amparam,

na esperança teimosa

de um reencontro.