Versos Discretos

Solstício de Carne

I. Iniciação
Sob o domínio do ébano e da seda,
tua silhueta desenha o contorno do abismo.
Aguardas, como a terra espera a fenda,
o rito que transmuta o sonho em sismo.

II. Preliminar
Mãos que percorrem o cânone de tua pele,
decifrando os relevos de um mapa interdito.
Cada carícia é um verso que se expele,
preparando o silêncio para o grito.

III. Conflito
O encontro é uma colisão de astros,
onde a flor, em orvalho, acolhe o mastro.
Há uma resistência que o desejo instiga:
a doçura da entrega em sua própria intriga.

IV. Confronto (O Ápice)
Cavalga o ritmo de uma maré interna,
onde a pressão é lei e a carne é eterna.
Tuas paredes, pétalas de um vácuo faminto,
apertam o absoluto em um nó de instinto.

V. Clímax
O espasmo é o ápice da arquitetura,
quando a estrutura cede à própria ventura.
Um jorro de luz em um templo de sombras,
onde o gozo é o tapete sobre o qual te assombras.

VI. Desfecho
Resta o eco, a cinza e o suor do combate,
onde o coração, exausto, em tua alma bate.
Somos o verso findo, a obra consumada,
na paz visceral da carne saciada.