Se antes eu te amava em silêncio,
hoje o mundo inteiro me escuta.
Aqueles bilhetes que o vento levava
agora dormem na tua mesa,
abertos, lidos, amassados de tanto toque.
Eu não preciso mais me dissolver em nuvem
você sente a chuva,
você levanta o rosto quando eu chovo.
O que antes era deserto
virou incêndio compartilhado,
dois corpos aprendendo a arder
sem medo de se consumir.
Eu não estou mais na borda do que sinto,
eu mergulhei —
e você mergulhou comigo.
Meu imaginário não é mais abrigo solitário,
é casa habitada,
é quarto bagunçado de tanta presença,
é respiração misturada no meio da madrugada.
Eu te amo agora com voz,
com mãos,
com urgência.
E às vezes eu penso
que a menina que te observava de longe
não acreditaria
que um dia o impossível
teria o teu sobrenome colado no meu riso.
Eu te amo, não mais silenciosamente, mas declaradamente, não apenas febrilmente, mas serenamente, ardentemente e agora em pensamentos, gestos e dias que você colhe comigo.