No acaso de encontros e amigos comuns,
O destino traçou um caminho discreto,
Uniu duas vidas em laços nenhuns,
Para curar o que estava incompleto.
Nasceu a amizade, refúgio e cuidado,
Mas o peito batia num ritmo incerto:
Seria o amor que já tinha chegado,
Ou o destino a manter-nos por perto?
Foram longas estradas, de mãos dadas com a sorte,
Zelando um pelo outro na estrada da vida,
Até que o primeiro beijo, mais forte,
Trouxe a resposta na hora devida.
O mundo não entende, talvez nem tu mesma,
Como o nosso enredo se pôs a ganhar,
Sem pressa, sem pausas, fugindo da lesma,
Em conversas de noite até o sol raiar.
Adivinhei-te na tua insistência,
No teu coração puro, disposto a ajudar,
Mesmo que o mundo, na sua indiferência,
Não visse a mão que tu estavas a dar.
Foste luz, foste o brilho da esperança,
A promessa de um amanhã mais sereno,
A calma de quem, com o olhar de criança,
Faz o amor parecer algo grande e pequeno.
Empreendedora, carinhosa, \"faz tudo\",
Cuidas das flores com rara devoção,
E eu, que observo, por vezes fico mudo,
Ao ver tanta vida na palma da mão.
Sim, era amor, desde o primeiro instante,
Desde o primeiro sorriso que te dediquei,
Um sentimento puro e constante,
Que em cada gesto teu eu reencontrei.
Hoje te digo: voa, minha pequena,
Deixa que as estrelas te guiem o altar,
Pois mesmo distante, na vida terrena,
Eu serei o guia a te orientar.
E quando a saudade bater no teu peito,
Olha para o céu, para o brilho lá fora,
Pois serás sempre, do meu próprio jeito,
A minha estrela que nunca vai embora