Adalcisio Rosario

O Destino de uma Estrela

No acaso de encontros e amigos comuns,

O destino traçou um caminho discreto,

Uniu duas vidas em laços nenhuns,

Para curar o que estava incompleto.

Nasceu a amizade, refúgio e cuidado,

Mas o peito batia num ritmo incerto:

Seria o amor que já tinha chegado,

Ou o destino a manter-nos por perto?

 

Foram longas estradas, de mãos dadas com a sorte,

Zelando um pelo outro na estrada da vida,

Até que o primeiro beijo, mais forte,

Trouxe a resposta na hora devida.

O mundo não entende, talvez nem tu mesma,

Como o nosso enredo se pôs a ganhar,

Sem pressa, sem pausas, fugindo da lesma,

Em conversas de noite até o sol raiar.

 

Adivinhei-te na tua insistência,

No teu coração puro, disposto a ajudar,

Mesmo que o mundo, na sua indiferência,

Não visse a mão que tu estavas a dar.

Foste luz, foste o brilho da esperança,

A promessa de um amanhã mais sereno,

A calma de quem, com o olhar de criança,

Faz o amor parecer algo grande e pequeno.

 

Empreendedora, carinhosa, \"faz tudo\",

Cuidas das flores com rara devoção,

E eu, que observo, por vezes fico mudo,

Ao ver tanta vida na palma da mão.

Sim, era amor, desde o primeiro instante,

Desde o primeiro sorriso que te dediquei,

Um sentimento puro e constante,

Que em cada gesto teu eu reencontrei.

 

Hoje te digo: voa, minha pequena,

Deixa que as estrelas te guiem o altar,

Pois mesmo distante, na vida terrena,

Eu serei o guia a te orientar.

E quando a saudade bater no teu peito,

Olha para o céu, para o brilho lá fora,

Pois serás sempre, do meu próprio jeito,

A minha estrela que nunca vai embora