costurando o ar feito uma agulha viva
com linhas de agora ou de outra meada
clarão de asas que do tempo de esquiva
âncora leve no umbigo da flor cansada
bebe seus dias em goles tão pequenos
nem mesmo roça o silêncio de chegada
e paira aqui e ali, onde nos esquecemos
que existe o chão da coisa mais pesada
é seta ligeira apontando o seu caminho
solecismo de vento acertando o perfume
tal o milagre miúdo demais pra ser visto
e sai sem que nada tenha de imprevisto
como se num nada ficasse um queixume
um lapso de cores tremulando sozinho
-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 03/03/26 –