Sim,
eu tenho um namorado incrível.
Não daqueles moldados pelos contos de fadas —
irreais, perfeitos demais para existir.
Mas daqueles que existem de verdade,
que atravessam a cidade
só para perguntar, com os olhos,
“como você está?”
Ele não vem montado em cavalos brancos,
vem de ônibus, de carro, de cansaço,
mas chega.
E às vezes, no meio do caos do cotidiano,
entre compromissos, pressas e ruídos,
escapa um “eu te amo”
dito quase como quem respira —
e ainda assim, muda tudo.
Há dias em que ele só quer me dar
um abraço apertado de saudade,
daqueles que não pedem licença,
mas curam.
E isso, tão simples,
faz toda a diferença no mundo em que eu vivo.
Porque me conforta.
Me faz feliz.
Me reinicia.
Como se eu voltasse às configurações de fábrica —
à versão mais pura de mim:
humano,
sentindo,
amando.