Brunna Keila

Preço que eu paguei por você.

Eu não sabia

que amar também era boleto vencido.

Entreguei minhas noites como quem entrega moedas no altar,

dei meu riso mais sincero,

meu tempo mais raro,

meu orgulho dobrado em quatro.

O preço não estava na vitrine.

Estava nas entrelinhas.

Na mensagem não respondida.

No “depois a gente vê”.

No quase.

Eu paguei com ansiedade.

Com o estômago apertado.

Com o silêncio que eu engolia para não parecer demais.

Paguei com a versão de mim que se diminuía

só para caber em alguém que nunca me ofereceu espaço.

Doeu perceber

que eu estava financiando sozinha

um amor parcelado

em promessas sem juros

e cobranças com multa emocional.

E mesmo assim,

eu paguei.

Paguei porque acreditava.

Porque via futuro onde só havia fumaça.

Porque confundia migalha com cuidado

e ausência com mistério.

Mas um dia a conta chegou completa.

E eu entendi que o preço mais alto

não foi ter amado —

foi ter me abandonado

para não ser abandonada.

Hoje eu ainda sinto o troco da dor,

mas aprendi:

quem exige que eu me perca

nunca foi investimento,

sempre foi prejuízo.